quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Cicatrizes
Colaram meu coração com ‘durepox’, amarraram com fitinha e deram um laço! Secaram o sangue espalhado que me encharcava, me deram banho e me puseram pra dormir. Durmo e não sei com quem sonho, só sei que não é com você. Estou curada, agora só restam cicatrizes que eu faço questão de esconder. Conto até dez, respiro fundo e sigo em frente.
Sou uma espécie de borboleta que morre e nasce todos os dias, e que a cada amanhecer sente dificuldades em voar por causa do peso dessas marcas, desse presente que fez questão de acobertar meu sofrimento. Algumas vezes essas chagas ainda doem. Um dia seu nome foi açúcar em minha boca.
Meu coração remendado está cansado. Cansou de sofrer, de pulsar em vão por alguém como você. Minhas asas já estão pesadas e a cada dia fica mais difícil levantar meu voo. Já não tenho mais forças pra gritar por seu nome.
Flávia Barreto e Lara Delgado
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Amor Feinho
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
(Adélia Prado)
terça-feira, 14 de setembro de 2010
O Que Faltava...
domingo, 12 de setembro de 2010
Imóvel a Tua Presença
Eu não sei por que você me causa tanta inspiração. Teu jeito é poesia, tua paz é magia, teus olhares sedução, tua voz uma música fabulosa. Passar uns dias sem te ver faz nascer uma saudade que me faz ficar imóvel a tua presença. Pode até ser um pouco de medo de agir errado ou ser precipitada como sempre, mas isso é só no primeiro momento, você me deixa a vontade com sua energia boa e suas brincadeiras sem graça. Você me distrai. Me faz ver que nem tudo está terminado pra mim.
Nenhum Segredo
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Não sei como você se sente...
Não sei como se sente, nem sei como me sinto. Não sei o que você pensa e o que eu penso já não me importa mais. Vou levando essa vida em contramão, esperando alguma coisa interessante acontecer. Fico buscando preencher meu tempo com coisas que me agradam. Envolvo-me, crendo poder sentir tudo novamente!
Novas e velhas paixões, conquistas, saudades, flertes, lembranças, experiências, contradições... Tudo se torna muito bom, até porque o amor tem uma magia, uma coisa que te suga pra dentro e que te faz se sentir muito bem. Como diz um amigo meu, nada como um carinho, um beijo, um abraço, quando você chega cansado do trabalho.
Vamos levando nossas vidas pra ver onde conseguimos chegar, até onde o destino pode nos levar e ‘sem lenço e sem documento’ entrar de corpo e alma em uma história que vai te confortar e te dar tudo que você precisa.
Eu até que tento te esquecer, mas tudo que escrevo ou faço me faz lembrar você. Ando precisando abraçar alguém, aquele abraço de meia-hora como faço com meu urso quase sempre. Não agüento mais ficar pensando como poderia ter sido, ou agido. Quero muito me desprender de você, continuar a levar essa vida na contramão.
Tento não lembrar dos momentos em que vivemos, ou aqueles que nunca vivemos e com certeza não iremos viver. Porque o destino fez a questão de separar nossas linhas, e por mais tortas que fossem elas nunca mais iram se cruzar. E tentando preencher meu tempo com coisas aparentemente normais esqueço-me do tempo, do amor, da petrificação de cada momento.
O relógio quebrado é um conforto. Ele me ajuda a dormir a noite. E pode não parecer mais estou caindo aos pedaços, mal consigo respirar com o coração partido que ainda bate. Então me deixe aqui sozinha por um bom tempo, posso ter perdido o rumo. Mas ainda sei meu caminho pra casa.
Mas ao invés disso sou como um livro aberto. E eu ainda vejo o seu reflexo, dentro de meus olhos. Eles procuram um propósito. Eles ainda procuram por vida.
Lara Delgado e Flávia Barreto